02/06/2015 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Nova Friburgo. Desenvolver com sustentabilidade

"Vamos nos conscientizar da realidade política que estamos vivendo e como esta política

está fazendo mal para o desenvolvimento de nossas cidades."

Cacau Rezende

Cidade, lugar das contradições! É o lugar onde se concentra o maior número de favelas, e onde existe uma enorme desigualdade na distribuição de rendas e de oportunidades econômicas.

Apesar disto, é o lugar onde todo mundo quer morar!

É fácil entender: por mais paradoxal que seja, é onde se encontram as melhores oportunidades, para se divertir, estudar, trabalhar e negociar!

O problema é que a busca por esta expectativa de vida melhor promoveu um rápido surgimento de grandes concentrações urbanas. Para vocês terem uma ideia deste crescimento, pulamos de 10% para 50% da população que vive nos grandes centros em cerca de cem anos e existem projeções de chegarmos a 75% nas próximas três ou quatro décadas.

Acontece que as cidades não tomaram providências para receberem tantas pessoas tão rapidamente. Então, a maioria, sem alternativas, acabou vivendo em condições precárias, concentradas em favelas e guetos, dando origem ao que hoje vem a ser um dos seus maiores desafios: a exclusão urbana.

Assim, diante deste quadro, muita gente apostou na morte das cidades, graças a Deus, e para decepção destas pessoas, isto não aconteceu.

As cidades não morreram e nós estamos aqui!

Mas não tenhamos muita ilusão, a situação está realmente feia e precisamos fazer alguma coisa para mudar este quadro.

Uma forma é ficarmos atentos as experiências urbanísticas que muitas cidades estão tendo, através de gestões inteligentes, apostando num desenvolvimento voltado para dentro, ou seja, refazendo ou reinventando a cidade existente, de modo inteligente e incluso e retomando o conceito de sustentabilidade com mais força e propósito.

“Satisfazer as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades” (United Nations, 1987).

É verdade que não possuímos as dimensões e complexidades da maioria dessas cidades, no entanto podemos extrair destas experiências inovações e práticas que podem ser reproduzidas em nosso território.

Agora, as questões que colocamos para reflexão são:

(a) O que podemos fazer para viabilizar projetos urbanos sustentáveis em nossas cidades?

(b) Devemos continuar crescendo de forma espraiada ocupando áreas desordenadamente sem nenhuma infraestrutura, ou crescer para dentro, de forma compacta, ocupando os espaços vazios existentes, com inteligência e inclusão?

No nosso caso, existem muitos problemas que impedem de chegarmos a uma solução destas questões. Limitações de recursos humanos, tecnológicos, de custos, de infraestrutura e principalmente problemas políticos e culturais.

Precisamos romper com este quadro de políticas de “boas intenções” e tomar uma direção fundamentada em técnicas avançadas de gestão de projetos e de operações das cidades. Nosso sistema de atendimento às demandas é arcaico e clientelista. As melhorias acontecem como uma espécie de conta-gotas, de forma pontual, ou seja, fora de um planejamento, contrariando a ordem de prioridades, visando unicamente ao atendimento dos “compromissos” firmados pelos políticos durantes suas campanhas.

É claro que depois de muito tempo, alguma coisa acaba sendo feita, mas a um custo exorbitante. E o que poderíamos resolver de forma mais rápida, acaba demorando e prolongando o sofrimento das populações mais carentes.

Por outro lado, o desenvolvimento urbano sustentável através do desafio de refazer a cidade existente ao contrário do espraiamento nos parece uma ideia interessante para as características da nossa cidade, além do que possibilita um uso mais sustentável e racional dos recursos, produzindo um resultado ambiental mais efetivo e real.

Como observamos, as cidades estão se reinventando, se renovando, e as experiências neste campo têm obtido grandes resultados. E nós devemos aproveitar extraindo inovações que podem ser úteis e práticas nas soluções de nossos problemas.

Agora, não podemos continuar ignorando a atual realidade em que vive a maioria das populações nas nossas cidades. É cruel e desumano. São pessoas vivendo amontoadas em barracos ou sub-habitações, em áreas afastadas, sem qualquer infraestrutura, equipamentos e serviços públicos. É muito mais lógico direcionarmos os recursos para construção de habitações coletivas nos lotes urbanos vazios existentes em áreas com infraestrutura. Já registramos em edição anterior a ideia de um programa de construção coletiva para baixa renda, financiado pela CEF em pequenos lotes vazios urbanizados (360 m²) com forte potencial social, econômico e ambiental.

Para tornar tudo isto possível é necessária uma nova política de desenvolvimento urbano que leve em consideração esta realidade em que vive a população, e garanta seu acesso aos bens e serviços urbanos e a uma moradia digna. Um governo verdadeiramente democrático deve propor também um planejamento democrático, fundamentado em debates públicos, através de uma administração participativa, não clientelista, e documentar isto por escrito. Este planejamento deve ser permanente, independente da mudança de governo, e amparado por leis.

Vamos nos conscientizar da realidade política que estamos vivendo e como esta política está fazendo mal para o desenvolvimento de nossas cidades.

Vamos mudar o que está aí minha gente!

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