04/06/2013 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Planeta entra em zona de perigo com a maior concentração de CO2 da história

A concentração de dióxido de carbono (CO2) na nossa atmosfera superou, pela primeira vez, a marca de 400 partes por milhão (ppm). Assim, a Terra está entrando em uma “zona de perigo”, advertiu a ONU

“O mundo tem que acordar e perceber o que isto significa para a segurança dos seres humanos, para seu bem-estar e seu desenvolvimento econômico”, completa a secretaria executiva da entidade, Christiana Figueres, que destacou que “ainda existe uma oportunidade para evitar os piores efeitos da mudança climática” e fez um pedido à comunidade internacional para dar uma “resposta política capaz de enfrentar este desafio”.

O índice de 400 ppm é um número simbólico que marca uma tendência inquietante do planeta para o aquecimento, segundo os analistas.

Com 400 ppm de concentração de CO2, o aquecimento global será de pelo menos 2,4 ºC, segundo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Mas emissões de CO2 não param de aumentar e, caso a tendência persista, a temperatura pode aumentar entre 3 e 5 graus.

Se nos próximos oito anos nenhum governo cumprir o que prometeu e as políticas verdes deixarem de ser vistas como prioridade – acrescentando ainda o desenvolvimento econômico previsto para o período, as emissões de gases ultrapassariam em 14 gigatoneladas o limite máximo calculado pelos cientistas.

Saiba das principais notícias ambientais de maio:

No início de maio, mais uma pesquisa vem reforçar a relação entre as mudanças climáticas e o aumento na frequência de eventos extremos. Desta vez, a análise publicada foi desenvolvida pela Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço, a NASA, um dos centros que mais tem contribuído para o estudo das ciências climáticas nos últimos tempos.

Segundo o relatório da agência, as mudanças climáticas irão aumentar as chuvas de maior intensidade em certas regiões do planeta, enquanto que em outras são as secas que se tornarão mais intensas. O documento aponta que as chuvas tenderão a aumentar nos trópicos, e as regiões temperadas devem vivenciar secas mais severas.

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A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou para um degelo recorde no Ártico entre agosto e setembro de 2012. De acordo com o documento, o ano de 2012 foi um dos nove anos mais quentes desde 1850.

Entre agosto e setembro de 2012, a cobertura de gelo no Ártico era 3,4 milhões de quilômetros quadrados, o que representa um decréscimo de 18% na comparação com o ano de 2007, ano do registro anterior. “O aquecimento contínuo da atmosfera é um sinal preocupante”, ressaltou o secretário-geral da OMM, Michel Jaurrad.

Jaurrad chamou a atenção para “muitos outros extremos” registrados em 2012, como as secas e os ciclones tropicais. “A variação natural do clima sempre deu origem a estes extremos, mas as características físicas do tempo e do clima estão cada vez mais sendo moldadas pelas mudanças climáticas”, disse ele. “Por exemplo, o nível do mar aumentou 20 centímetros desde 1880. Com isso, as tempestades como o Furacão Sandy causam muitas inundações costeiras.”

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O fim dos lixões em todo o país, previsto para ocorrer a partir de agosto de 2014, representará um ganho ambiental mas poderá gerar um passivo social. A Lei 12.305/10, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, obriga os municípios a depositarem o lixo em aterros sanitários controlados, o que significa um melhor ordenamento dos resíduos, que deixarão de poluir o meio ambiente, mas ao mesmo tempo representa o fim do trabalho para milhares de catadores.

No estado do Rio de Janeiro, o fechamento do Aterro Sanitário de Jardim Gramacho, na Baixada Fluminense, em junho do ano passado, às vésperas da Rio+20 (Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável), provocou uma melhora significativa na qualidade de vida da região, mas deixou milhares de famílias sem a fonte de renda diária. Apesar de ter recebido uma indenização de R$ 14 mil, a maioria dos trabalhadores gastou o dinheiro sem que isso tenha garantido uma nova forma de trabalho. Em todo o estado, a estimativa é que pelo menos 40 mil pessoas vivam diretamente da reciclagem.

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Autoridades ambientais informaram que vão intensificar o combate à soltura de balões. Segundo a Coordenadoria de Combate aos Crimes Ambientais (Cicca), que faz parte da Secretaria de Estado do Ambiente, as ações terão apoio de policiais militares das unidades ambientais e do Grupamento Aeromarítimo, que vão monitorar a Baía de Guanabara com o uso de lanchas e helicópteros. Fabricar e soltar balões são considerados crimes ambientais. Se for condenado, o infrator pode ser condenado a pena de 1 mês a 3 anos de prisão. Quem tiver alguma informação sobre grupos de baloeiros deve ligar para a central da Cicca pelo telefone (21) 2334-5906 ou para o Disque Denúncia, pelo telefone (21) 2253-1177.

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Desde o dia 2/5, cerca de 150 indígenas de oito povos atingidos pela construção de hidrelétricas nos rios Xingu, Tapajós e Teles Pires ocupam o canteiro de obras da barragem de Belo Monte.

Eles reivindicam a regulamentação da consulta prévia e a suspensão imediata de todas as obras e estudos relacionados às barragens nos rios. Além disso, os indígenas demandam uma negociação direta com um representante da Secretaria-Geral da Presidência da República , negando uma a proposta do governo que uma comissão definida pelo indígenas se reunisse em Altamira (PA) com um grupo interministerial.

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A Organização Mundial da Saúde alertou que 270 mil pedestres morrem todos os anos em acidentes nas ruas e estradas do mundo. Segundo a OMS, isso representa 22% do 1,24 milhão de mortes no trânsito registradas anualmente. A agência da ONU pediu aos governos que adotem ações concretas para melhorar a segurança dos pedestres. O diretor da OMS responsável pelo setor, Etienne Krug, afirmou que 5 mil pedestres morrem nas ruas, por semana, em todo o mundo. Ele explicou que isso acontece porque suas necessidades estão sendo ignoradas há décadas. Krug disse que as autoridades devem repensar uma forma de organizar o sistema de transportes para garantir a segurança das pessoas que caminham.

A agricultura familiar foi eleita tema do ano pelos 193 países membros da Organização das Nações Unidas (ONU). Durante reunião realizada em dezembro, a Assembleia Geral da ONU declarou 2014 o Ano Internacional da Agricultura Familiar. A declaração inédita para o setor é resultado do reconhecimento do papel fundamental que esse sistema agropecuário sustentável desempenha para o alcance da segurança alimentar no planeta.

“Com esta decisão, a ONU reconhece a importância estratégica da agricultura familiar para a inclusão produtiva e para a segurança alimentar em todo o mundo – num momento em que este organismo vem manifestando sua preocupação para com o crescimento populacional, a alta dos preços dos alimentos e o problema da fome em vários países”, analisa o ministro do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence.

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As 26 usinas eólicas prontas estão no nordeste brasileiro, podendo gerar energia elétrica para cerca de três milhões de residências. Porém, a rede de transmissão, obra já contratada pelo governo, não teve a sua execução concluída e sequer tem prazo assegurado de conclusão, segundo o ambientalista André Trigueiro.

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O Ministério da Pesca quer elevar para 2 milhões de toneladas a produção do pescado nacional. Para chegar a essa meta passou a investir pesado na vigilância da Costa Brasileira contra a pirataria e a invasão de barcos estrangeiros. As embarcações pesqueiras legais vão portar radares para rastrear barcos invasores. Com essa medida e a introdução de 28 barcos velozes da polícia acha possível fiscalizar todo o litoral e coibir a pesca clandestina.

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Das 1.043 áreas de reserva indígena existentes no país apenas 336 foram demarcadas. Um projeto na Câmara Federal pretendia trazer para o Congresso Nacional a outorga da demarcação das terras indígenas retirando essa atribuição da FUNAI. No dia 16/04, data da votação desse projeto na Câmara dos Deputados, cerca de 100 indígenas ingressaram no recinto todos pintados, com maracás e gritando muito. O tumulto levou o presidente da casa a suspender a sessão.

Os nativos festejaram com dança a vitória do seu protesto. No dia 19/04, Dia do Índio no Brasil, o Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo emitiu parecer desautorizando a votação desse projeto classificando-a de inconstitucional. De acordo com analistas o propósito do governo federal é incluir o INCRA e o IBAMA num fórum de decisões sobre as terras indígenas. As acusações são de que a mobilização por essas alterações tende a favorecer os ruralistas.

Por: ForumSec21