Francisco Rohen
Breve história da Espanha
O território espanhol começou a ser criado pelos romanos depois de 206 a. C. O país está situado na península ibérica, com 504.030 km², faz fronteira no nordeste com a França e o principado de Andorra, a noroeste e o oeste com o Oceano Atlântico e Portugal. É o segundo maior país da Europa. O espanhol é a língua oficial e o quarto idioma do mundo, falado por mais de 400 milhões de pessoas.
Nas Américas é adotado em 16 países, sendo o Brasil único de língua portuguesa. Em 1479 Fernando II de Aragão e Isabel de Castela uniram seus reinos e reconquistaram a província de Granada sob domínio muçulmano.
Unificada torna-se potência européia e mundial. O Império Espanhol dominava as Ilhas Canárias, ilhas no caribe, América Central, parte da América do Sul e Filipinas. O seu poderio começa a cair no início do Sec XVIII, na transição do governo Hansburgo para o Bourbon.
No século XIX as guerras napoleônicas na Europa interromperam o contato com as Américas, isso facilitou a independência de importantes colônias ibero-americanas.
Instabilidades políticas, agitações sociais, misérias; guerras e epidemias dizimaram milhões de europeus. Já no Sec XX, oprimidos pelas ditaduras dos generais Miguel Primo de Rivera (1923-39) e de Francisco Franco (1939-75), milhões de espanhóis deixaram o país, a maioria com destino a América Latina e EUA.
Espanhóis no Brasil
O Brasil precisando de mão de obra, principalmente, nas fazendas de café de São Paulo, negocia com a Espanha a vinda de imigrantes. Na década (1889-99) entraram no país 174 mil colonos. Do final do século XIX, em várias etapas, até 1961 che-garam aqui quase um milhão de espanhóis. Estima-se que 15 milhões de brasileiros sejam descendentes de espanhóis. Em 1975, restabelecida a monarquia, com o rei Juan Carlos I no trono, a imigração baixou.
Do total de espanhóis no país 65% são galegos; catalães e valencianos 15%; andaluzes 10%; asturianos, castelhanos e outros 10%. Estão distribuídos desproporcionalmente no país. Em Salvador e Rio mais de 90% são galegos. São Paulo apesar de concentrar a maior população espanhola catalães e valencianos supera a de galegos. Os espanhóis no Brasil trabalham especialmente nas áreas de restauração, hotelaria e alimentação. No Rio e São Paulo além destas dedicam-se ao ramo de gastronomia, construção civil, serviços, indústrias e turismo.
Presença dos espanhóis em Nova Friburgo
A presença dos espanhóis em Nova Friburgo acontece simultaneamente à chegada ao Brasil. Aqui os espanhóis inicialmente dedicaram-se ao comércio, nas olarias e na construção civil. As primeiras famílias dos irmãos Jesus, Ignacios foram para Conselheiro Paulino, no distrito instalaram a indústria de cerâmicas. Vicente Sobrinho no Centro da Cidade fundou a “Casa Madrid”, material de construção, na Rua. General Argolo (Av. Alberto Braune).
Mais tarde o casal José e Carmem Ruiz Boléia ficaram famosos na cidade fabricando sorvetes “chapéu chinês” (casquinha de sorvete). Foram homenageados pela Câmara Municipal com o nome da Rua José Luiz Bolea, no Centro. As famílias de Lorenzo e Julio Alvarez aderiram ao ramo de olarias fabricando telhas e tijolos. Francisco Vidal Gomez fez história em Nova Friburgo construindo o Colégio Anchieta, fundado em 1886, da ordem jesuítas, criado por Santo Inácio de Loyola, espanhol. Obra iniciada em 1902, concluída em 1910. E ainda foram construídas estradas de ferro, o Colégio Nossa Senhora das Dores, vilas operárias e prédios; o Colégio Nossa Senhora das Mercês, fundado em 1962, também da ordem religiosa jesuíta.
Em Olaria, a presença dos espanhóis foi tão marcante que viraram nomes das ruas: Vicente Sobrinho; Julio Vicente Espanhol e Manoel Lourenço Sobrinho, fundador da olaria de telhas e tijolos. Na extinta olaria foi criada a Praça 1º de Maio, área cedida pelo ex-prefeito Cesar Guinle, funcionou ali o HORTO FLORESTAL MUNICIPAL.
Hoje, abriga o posto policial e o parquinho. Em frente existiu o depósito de materiais de construção de José Lourenço (filho de Manoel Lourenço Sobrinho). Julio Vicente era corretor de imóveis no bairro, devoto de São Roque, e doou sete terrenos para construção da capela, inaugurada em 1940. Demolida em 2001, Padre Flavio com apoio da comunidade e entidades ergueu a nova igreja.
Padre Miele comandou a igreja de São Roque e Sant’Ana de 1947 a 56.
São inúmeros os espanhóis que se destacaram em Nova Friburgo. Entre os destaques está o querido Padre Paco, que esteve a frente do Centro Social Nossa Senhora das Graças, em Olaria, na década de 1990. Padre Paco (Francisco Perez Blasco) nasceu em Barcelona em 1940 e chegou ao Brasil em 1966.
A Colônia Espanhola em Nova Friburgo
A Colônia Espanhola a mais de século em Nova Friburgo comemorou no dia 12 de outubro, data nacional e alusiva ao descobrimento da América em 1492, por Cristovão Colombo, navegador genovês, com apoio real de Fernando e Isabel, a bordo das caravelas: Santa Maria, Pinta e Nina conquistou a América ‘o novo mundo’. Data também de Nossa Senhora de Aparecida, padroeira do Brasil e Dia da Criança, criada pelo ex-prefeito e deputado friburguense Galdino do Valle Filho.
No município, os espanhóis representam aproximadamente quatro por cento da população – oito mil descendentes. Estão presentes em diversos setores da nossa economia: indústria, hotelaria, turismo, metalurgia, educação, profissões liberais, imobiliário e gastronômico etc.
Além de contribuírem para o progresso de Friburgo; disseminam ainda sua rica cultura que abrangem: as artes, a dança e a música. A Colônia tem como presidente Vicente Quintá Alfaya, natural de Pontevedra, Espanha. Atuante representa sua entidade nas solenidades oficiais e datas cívicas. Também como representante, Maria do Carmo sempre participa dos eventos. Assim como os outros colonizadores, os espanhóis ajudaram a construir a História de Nova Friburgo.
Francisco Rohen é publicitário e jornalista.
jofranrohen@gmail.com