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Economia Solidária: integração no Mercosul como grande desafio

 

Durante o 6º Seminário Latino-americano de Economia Solidária, que aconteceu na manhã do último sábado (10), em Santa Maria, Rio Grande do Sul, representantes de algumas das principais instituições de Economia Solidária (ES) do Brasil e da América Latina, refletiram sobre o tema "Desenvolvimento que queremos pela ótica dos empreendimentos econômicos solidários".

Em meio a um intenso debate, o principal assunto discutido foi a necessidade de se fortalecer a integração entre os países do Mercosul, o Mercado Comum do Sul, e toda a América Latina. O seminário foi dividido em dois momentos. A primeira parte teve a participação dos empreendimentos e a segunda, foi o olhar do Governo para a região latino-americana.

Sobre o fortalecimento da integração produtiva entre grupos econômicos solidários dos países do Mercosul e região, Daniel Tygel, secretário executivo do Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES), convidou seus colegas à refletirem a questão, comparando o bloco Mercosul, com outros como a União das Nações Sul-americanas (Unasul), por exemplo.

Ademar Bertucci, da coordenação colegiada da Cáritas Brasileira, disse que "esse tem sido o desafio permanente". Ele discorreu sobre a importância de se pensar na articulação de ações mais específicas e concretas, entre governos e organizações sociais do Mercosul. Ele falou ainda sobre a necessidade de integração também na região amazônica. "Essa discussão deve ser levada para a Feira da Pan-amazônia", adiantou.

Como exemplos de integração de pequenos grupos, Ademar citou os recicladores, que exercem um papel de agentes ambientais. Outro exemplo foi a Rede de Sementes, que, segundo ele, funciona como um Fundo Solidário. Ele falou ainda sobre uma das principais necessidades da ES, o microcrédito. "Há 30 anos a gente acompanha a onde de microcrédito na América Latina, mas o neoliberalismo não nos favorece", disse.

Representando a Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes), Haroldo Mendonça, disse que a ES na América Latina enfrenta dois grandes desafios. "A gente tem, na nossa região, o processo de integração com característica institucionalizada. Como movimento, devemos avançar mais. O exemplo do Mercosul traz esse desafio", disse.

Ele chamou atenção ainda para um projeto que deve ser executado em áreas de fronteiras, e que, segundo ele, se for aprovado, "será o primeiro projeto de caráter socioeconômico à abrir a questão do financiamento".

O segundo desafio apontado por Haroldo diz respeito ao marco legal da ES. Ele disse é importante lutar pelo reconhecimento da comercialização e que um projeto na área da comercialização deve considerar alfândega e fronteiras. "A Economia Solidária ainda é muito informal no Brasil, no Uruguai, no Paraguai e Argentina. É preciso lutar pelo seu reconhecimento", enfatizou.

Os participantes falaram ainda sobre o fortalecimento dos espaços já construídos pelos movimentos sociais deste segmento. "A construção de uma agenda política é fundamental". O representante da Senaes apontou que a realização de "intercâmbios e visitas entre os países, representa a dimensão internacional da luta pelos trabalhadores", ele ressaltou que para fazer isso, não dependem de governo.

Tatiana Félix

Por: Adital



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