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Entre as mudanças abaixo, qual o leitor considera a prioritária, como forma de iniciarmos a mudança da sociedade?

As mudanças na educação, priorizando a realização pessoal e o desenvolvimento humano.
A mudança na política, priorizando a democratização do poder e as reformas estruturais e eleitorais.
As mudanças na economia, repensando a economia de mercado, os direitos e a proteção à biodiversidade
Mudanças vindas do amadurecimento espiritual, quando as pessoas se abrem a Deus e a fraternidade.
A humanidade não será capaz de mudar a não ser pelo sofrimento e pela necessidade.

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A guerra fria em torno do aquecimento global

 

Carlos Castilho  

O que parecia inicialmente um bate boca entre eco-chatos e adeptos do progresso economico ganha agora cada vez mais ares de uma batalha onde os argumentos de alguma forma lembram os da falecida guerra fria.

Os que acreditam no aquecimento global propõem medidas coletivas visando o bem comum, enquanto os críticos alegam que isto vai contra a liberdade individual e passam a incluir o combate a iniciativas conservacionistas no rol dos inimigos públicos.

A colocação do tema aquecimento global na agenda contemporânea é uma vitória inegável dos ambientalistas que há anos vem batendo nesta tecla. Inicialmente a oposição era de caráter moral e econômico, mas agora tornou-se claramente política e cada vez mais ideológica.

É uma batalha para tentar fazer o que os anglo saxões chamam de framing the issues, ou seja  enquadrar os temas. Enquadrar significa aqui ver o tema a partir de um determinado ângulo ou ponto de vista. Em lugar de ver o todo, leva-se o público a ver uma parte do tema, aquela mais favorável a quem promove a ação.

Você pode ver a campanha contra o aquecimento global como um esforço para conservar a vida na terra ou como uma iniciativa de limitar a liberdade individual a partir de uma ação coletiva. E é claro, isto tudo está enfocado a partir de uma opção ideológica.

É uma disputa por corações e mentes, por simpatias e adesões, onde a imprensa ocupa um lugar chave porque ela ainda é uma dos principais ferramentas para framing the issues. O enquadramento é hoje o ponto crítico no jogo do poder mundial porque é nele que se define como as pessoas pensarão ou discutirão os temas da agenda pública.

Quando o trabalho é bem feito no campo do enfoque dos temas, a força bruta torna-se supérflua, o que nos tempos atuais é uma grande vantagem dada a crescente antipatia pelas soluções de força e pelo alto custo financeiros e humano das mesmas.

É por esta razão que comunicação e poder são hoje quase sinônimos e o público precisa ver esta equação em termos bem objetivos. O problema é que os grandes conglomerados da indústria da comunicação são parte interessada nesta guerra fria entre ambientalistas (no sentido mais genérico) e conservadores (idem).

A estratégia de alguns conglomerados é apropriar-se do tema aquecimento para depois tentar higienizá-lo de influencias coletivistas enquanto outros já partem decididamente para o ataque. E o principal foco são as falhas e erros cometidos por cientistas vinculados à campanha contra o aquecimento.

Falhas inevitáveis porque se trata de um tema onde ainda falta muita pesquisa mas que, quando são levadas para a arena do debate público pela imprensa, tornam-se armas letais na mão de quem consegue inseri-las no seu enfoque.

Estou mencionando tudo isto porque a confusão em torno do problema deve aumentar e o público tende a ficar desorientado diante do bombardeio informativo. O novo nisto tudo é que ao contrário do que acontecia até agora, os jornais já não tem mais o monopólio do enfoque e do framing. Agora o cidadão é quem escolhe como ver um problema.

A guerra da informação está agora em nossos corações e mentes.

Por: Observatório da Imprensa



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