01/09/2015 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Editorial: "Os 5 maiores problemas ambientais"

1 - Efeito Estufa

Poucos sabem, mas existe um planeta no sistema solar que sofre com o efeito estufa: a atmosfera de Vênus é composta de 95% de dióxido de carbono, o que eleva a temperatura na sua superfície a 485 graus centígrados. O Efeito Estufa é, sem dúvida, um dos principais problemas ambientais da nossa civilização.

Deveríamos estar nos perguntando porque este entusiasmo com o petróleo, que já deveria estar saindo de cena para dar espaço às energias renováveis como a solar, eólica e geotérmica, entre outras.

Além das emissões das indústrias e dos automóveis, um outro componente para o aumento do Efeito Estufa tem sido as queimadas. Tudo isto acrescenta milhões de toneladas de CO2 à atmosfera. Os maiores emissores (EUA e China) de gases industriais ainda não deram mostras convincentes de que as coisas vão mudar. Também o abate de florestas agrava o efeito estufa, pois o CO2 retido nas árvores é imediatamente liberado para a atmosfera.

A emissão sem limites de gases piora consideravelmente a qualidade do ar pelas inúmeras substâncias tóxicas que são emitidas pelas indústrias. No fim das contas, estamos criando um cenário de sufocamento coletivo por gases e substâncias tóxicas como, por exemplo, o enxofre, que causa a chuva ácida. Vide as graves condições do ar nas maiores cidades da China, atualmente.

2 - Água

A questão da poluição das águas e da falta de saneamento básico é muito grave. Não bastasse a coleta de esgotos e tratamento ser muito rara no país, a poluição se dá por toda espécie de substâncias químicas jogadas nos ralos. Considerando-se a poluição dos oceanos pelas mesmas substâncias e pelos infindáveis vazamentos de petróleo a situação, em 20 anos, pode se tornar dramática com a água sendo, inclusive, motivo para guerras.

A terceirização e concessão dos serviços de água, embora seja, no momento, uma boa saída para a realização do tratamento dos esgotos e distribuição pode ser, no futuro, uma brecha legal para abusos de poder. Por outro lado, as grandes vítimas da ocupação urbana desordenada no Brasil são as nascentes. No ano de 2014, os problemas de falta de água começaram a ficar bastante críticos no Brasil, tanto pelo desequilíbrio hídrico causado pelo desmatamento da Amazônia, quanto pelos desmatamentos locais, nas nascentes e no curso do principais rios do país. É sabido que as florestas armazenam a água como esponjas, mas nada é feito para conter o desmatamento. Não podemos nos esquecer também da contaminação dos lençóis freáticos e aquíferos por altíssimas dose de agrotóxicos e outras substancias químicas.

3 - Florestas

A questão da preservação das florestas passa por três providências: A primeira é a diminuição do consumo de carne, pois é sabido que mais de 200 milhões de bois pastam em território brasileiro para a satisfação de nossos exageros neste consumo. O boi, como sabemos, precisa de muito espaço para pasto e torna-se uma incongruência falarmos em preservação da Amazônia e continuarmos com esta festança com a carne de boi. A fronteira agrícola também avança sobre a floresta e seu astro principal é a soja, e quase 60% da produção de soja é para alimentar bois e outros animais.

Junte-se a isto o problema do interesse das madeireiras, a insuficiente regulamentação do setor e a ausente fiscalização, enfim, a liberdade com que se derrubam árvores no Brasil. Por outro lado, é importantíssimo que plantemos florestas para conseguirmos captar o gás carbônico do ar e buscarmos maior refrigeração, pois as florestas são refrigeradoras do ar.

4 - Extinção das espécies

Um dos grandes temas da modernidade é a biodiversidade. A Bioética coloca, em primeiro lugar, os direitos das espécies em existirem e terem seus biomas preservados. Cada espécie é um banco de memória de DNA, forjado por uma evolução de bilhões de anos e que pode se perder se nós permitirmos. Se fôssemos considerar os quase 5 bilhões de anos de história da Terra, colocando este tempo no intervalo de uma hora, o ser humano teria aparecido somente no último segundo da evolução. E que estrago estamos fazendo com nossa obsessão consumista. Que direito temos de negar a tantas espécies o direito à vida, logo elas, que estão no planeta desde um tempo muito anterior a nós? Isto vale também para as populações tradicionais e suas culturas. Todas as espécies, biomas e culturas tem, como nós, o direito à existência. Mas a extinção da diversidade caminha sob nossos olhares utilitários.

5 - Lixo

Poucos problemas mostram tanto a condição humana atual como o lixo. Através de seu lixo podemos fazer uma leitura da civilização e da psicologia humana.

Para muitas tradições religiosas do oriente, um dos entraves à realização humana é o desejo. Pois justamente no estímulo ao desejo está a estratégia do mercado para fazer as pessoas aumentarem necessidades e consumirem mais.

O problema do lixo é uma das consequências mais sérias do consumismo. Só para dar um exemplo, “cada paulistano produz por dia uma média de 1,05kg de lixo. Pode-se calcular que um paulistano irá produzir até o fim de sua vida cerca de 25,68 toneladas. Os números do lixo são ainda maiores em países desenvolvidos, onde o consumo é maior. Um nova-iorquino produz em média 1,77 kg por dia (40 toneladas até o fim da sua vida). Onde colocar todo esse lixo? A resposta é: Não existe onde. Dentro de poucos anos não haverá mais local onde colocar tanto lixo!” Muitos países da Europa já convivem com estes problemas de maneira crônica e até exportam para a África deslocando o problema. Reduzir, reutilizar e reciclar!!!

Precisamos redescobrir uma motivação de viver para que não acabemos sufocados por nossas toxinas e por nosso lixo assim como já estamos sendo, em nossas mentes, por nossos desejos incessantes e rotinas assoberbadas.

Por: Dib Curi - Editor do Jornal Século XXI