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Em relação a atual crise econômica mundial que parece se aprofundar, qual é o pensamento de nossos leitores?

A crise vai continuar se aprofundando, exigindo mudanças drásticas no atual sistema econômico, que permanecerá apenas se for capaz de reverter sua capacidade de gerar injustiça social e sua insensibilidade em relação a exploração do meio ambiente.
A crise vai passar e o desenvolvimento vai voltar, pois o sistema econômico, auxiliado pelos governos, saneará tecnicamente a crise e aperfeiçoará o sistema.
A humanidade vai partir para uma completa e radical mudança no sistema econômico vigente, transformando definitivamente a economia e mudando a sociedade.
Na verdade esta crise é causada, principalmente, pelos governos e sua excessiva intromissão nos assuntos econômicos, e também sua costumeira incompetência e corrupção, além de onerarem demais a sociedade com impostos sem darem os retornos combinados e necessários.

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Thich Nhat Hanh
1926 -

Thich Nhat Hanh nasceu no Vietnã em 1926. Aos 16 anos iniciou sua vida religiosa no zen budismo. Poeta e ativista pela paz, durante a guerra no Vietnã renunciou ao isolamento para ajudar seu povo e, desde então, tem sempre dado a prática religiosa um empenho social e político pela paz.
Em 1982, tendo como colaboradora a monja Chân Không, fundou Plum Village, uma comunidade budista, situada próxima a Bordeaux, na França, onde ensina a “Arte de Viver em Plena Consciência”. Plum Village não é somente um refúgio para os que buscam paz interior através de práticas de plena consciência; é também um “um lar fora de seu lar” para muitos expatriados vietnamitas, onde podem experimentar muitos elementos de sua tradicional cultura. Ainda hoje Thich Nhat Hanh continua a escrever, ensinar e fazer palestras. É autor de inúmeros livros sobre meditação, cura e transformação. Viaja regularmente para os EUA onde  ensina budismo engajado, responsabilidade social e dissolução da violência através da prática do viver consciente.

ENSINAMENTOS

Todos os dias estamos participando de um milagre que não temos capacidade de reconhecer.

Nossos sentimentos desempenham um papel muito importante por dirigirem todos os nossos pensamentos e ações. Existe em nós um rio de sentimentos, no qual cada gota d’água é um sentimento diferente e cada um depende de todos os outros para sua existência. Para observar esse rio, sentamo-nos à sua margem e identificamos cada sentimento à medida que ele vem à tona, passa por nós e desaparece.

Há três tipos de sentimentos: agradáveis, desagradáveis e neutros. Quando temos um sentimento desagradável, podemos querer afastá-lo. O mais eficaz é voltar à nossa respiração consciente e apenas observá-lo, identificando-o em silêncio para nós mesmos. “Inspirando, sei que há um sentimento desagradável em mim. Expirando, sei que há um sentimento desagradável em mim.” Chamar o sentimento pelo seu nome, “raiva”, “tristeza”, “alegria” ou “felicidade”, ajuda a identificá-lo e reconhecê-lo.

Podemos usar a respiração para entrar em contato com nossos sentimentos e aceitá-los. Se nossa respiração for leve e tranqüila, resultado natural da respiração consciente, nossa mente e nosso corpo irão lentamente se tornando leves, tranqüilos e claros. E da mesma forma nossos sentimentos. A observação plenamente consciente se baseia no princípio da “não-dualidade”: nosso sentimento não está separado de nós nem foi causado apenas por algo externo a nós. Nosso sentimento é nosso eu, e temporariamente nós somos esse sentimento. Não submergimos nesse sentimento, nem nos aterrorizamos com ele, tampouco o rejeitamos. Nossa atitude de não nos agarrarmos aos sentimentos e de tampouco rejeitá-los é a atitude de desapego, uma parte vital da prática da meditação.

Se encararmos nossos sentimentos desagradáveis com cuidado, afeição e não-violência, podemos transformá-los naquele tipo de energia que é saudável e que tem a capacidade de nos nutrir. Através da observação consciente, nossos sentimentos desagradáveis podem ser muito esclarecedores para nós, proporcionando-nos revelações e compreensão a respeito de nós mesmos e da nossa sociedade.

Vencidos o medo e a aversão, a vida será vista como infinitamente preciosa e, cada minuto dela, digno de ser vivido. E não apenas a nossa vida é reconhecida como preciosa, mas também a vida de todas as outras pessoas e outros seres. Não podemos mais ser iludidos pela noção de que a destruição dos outros seres é necessária para a nossa sobrevivência. Veremos que a vida e a morte são duas faces da Vida e que sem ambas a vida não seria possível, exatamente como as faces da moeda são necessárias para que a moeda exista.

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