Clarisse Lispector

Mestre de Vida: Marcel Proust

Marcel Proust Marcel Proust 1871 - 1922

Marcel Proust

Proust foi um escritor francês, muito conhecido por sua notável obra “Em Busca do Tempo Perdido”, que antecipa aspectos fundamentais da estética contemporânea e mesmo pós moderna. Nasceu numa família rica que lhe assegurou uma vida tranquila e lhe permitiu frequentar os salões da alta sociedade. Aos nove anos de idade, teve seu primeiro grave ataque de asma e foi considerado uma criança doente. Quando jovem, Proust foi um diletante e alpinista social, cujas aspirações como escritor foram prejudicadas pela sua falta de disciplina. Sua reputação como esnobe e amador lhe rendeu muitos problemas. Assistiu, na Sourbonne, os cursos do filósofo francês Henri Bergson, que foram definitivos para a sua maneira de ver a Vida. Proust era homossexual e foi, junto com Oscar Wilde, um dos primeiros romancistas da Europa a tratar o tema abertamente. Escreveu em jornais sobre o cotidiano e também obras menos famosas. Após a morte de seus pais, sua saúde frágil deteriorou-se. Passou a viver recluso e a esgotar-se no trabalho. Os últimos três anos da sua vida passou confinado, dormindo de dia e trabalhando à noite para concluir seu romance. Morreu de pneumonia, fruto de uma bronquite mal cuidada.

Ensinamentos:

Os paraísos perdidos estão somente em nós mesmos.

Eu tinha certeza de que meu cérebro constituía uma rica zona de mineração, com jazidas preciosas, extensas e várias. Com minha morte, não desapareceria só o mineiro conhecedor exclusivo dos minérios, mas também as próprias minas.

Cada um é homem de sua ideia; há muito menos ideias que homens, de modo que todos os homens de uma mesma ideia são iguais.

Cada qual considera claras as ideias que estão no mesmo grau de confusão que as suas.

O amor causa verdadeiros levantamentos geológicos do pensamento.

A viagem da descoberta consiste não em achar novas paisagens, mas em ver com novos olhos.

Tornamo-nos morais quando somos infelizes.

Para tornar a realidade suportável, todos temos de cultivar em nós certas pequenas loucuras.

O que censuro aos jornais é fazer-nos prestar atenção todos os dias a coisas insignificantes, ao passo que nós lemos três ou quatro vezes na vida os livros em que há coisas essenciais.

A sabedoria não se transmite, é preciso que nós a descubramos fazendo uma caminhada que ninguém pode fazer em nosso lugar e que ninguém pode evitar, porque a sabedoria é uma maneira de ver as coisas.

A maioria dos homens gasta a melhor parte da vida a tornar a outra miserável.

A felicidade é salutar para o corpo, mas só a dor robustece o espírito.

Se um tanto de sonho é perigoso, não é menos sonho que há-de curá-lo, e sim mais sonho, todo o sonho. É preciso conhecer totalmente os nossos sonhos, para não sofrermos mais com eles.

É impossível encontrar prazer quando nos contentamos em procurá-lo.

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