13/12/2016

Economia Solidária

Jorge Miguel Mayer Jorge Miguel Mayer
"Temos várias e boas razões para apoiar o comércio local, a economia local. Esta é uma aplicação da economia solidária. Pelo menos, trata-se da solidariedade na economia."

Se alguém quiser fazer por mim/que faça agora./ Me dê às flores em vida, /o carinho, a mão amiga,/ para aliviar meus ais. /Depois que eu me chamar saudade/ não preciso de vaidade./ Quero preces e nada mais.

(Nelson Cavaquinho ( 1911-1986) - Quando eu me chamar saudade.)

Este samba do Nelson Cavaquinho clama por solidariedade. O samba ”Antonico” de Ismael Silva é uma concreta demonstração de ação de um pelo outro. Tenho visto muitos apelos à economia solidária. Ao invés de consumir o produto em seu círculo, é comum comprá-lo de um distribuidor ou produtor qualquer, muitas vezes, distante. Por exemplo: quantos ditos amigos não compram livros no Rio de Janeiro, em cidades grandes, deixando de fazê-lo junto ao livreiro amigo, de ajudar assim o amigo e de fomentar a economia e cultura locais?

Exemplos podem ser dados em relação a outros produtos. A prosperidade local se baseia na compra local. Este é um princípio que pode nortear o consumidor. Em tempos de penúria como os atuais, o princípio da economia local deve ser levantado com urgência, incluindo (por que não?) a atitude do consumidor. Além disto, por que preferir ajudar uma grande empresa, ou qualquer outra e não o amigo?

No passado remoto havia o caderninho. As compras eram anotadas num caderninho. Um jogo que favorecia o vendedor e o comprador. Hoje, este procedimento talvez tenha que sofrer algumas modificações, mas sem dúvida o produtor que conhece o consumidor, suas preferências e condições, pode dar-lhe maior atenção, o que grandes empresas não fazem. Muitas vezes, não oferecem nem desconto. Temos várias e boas razões para apoiar o comércio local ▬ a economia local. Esta é uma aplicação da economia solidária. Pelo menos, trata-se da solidariedade na economia.

Por falar em solidariedade, quero elogiar a biblioteca da Tribuna Cultural de Lumiar, em cujo espaço ocorrem as mais diversas manifestações artísticas, e onde se encontram realmente bons livros. Outras lojas têm a iniciativa de criar estantes solidárias, infelizmente sem observar a qualidade do material, o que reduz a função solidária do bom empreendimento.

Ainda há poucos dias, um amigo se prontificou a me proporcionar a leitura de determinado livro. Disse ele: eu o envio via e-mail. Significa que ou eu imprimo mais de 200 páginas, ou vejo pela tela do computador, o que implica determinada postura física, condicionamento a uma energia artificial, e custo econômico determinado. Não é melhor em livro?

É verdade que o computador, redes sociais facultam a interatividade e a criatividade. Posso enviar textos e imagens feitas ou assimiladas por mim para muita gente, o que não poderia fazer se me circunscrevesse à produção em papel. . A Internet possibilita um avanço da comunicação, da criação sem igual. Será que isto está se realizando? Quando eu vejo uma reunião social em que todos os integrantes estão presos ao seu celular e nada vêm a não ser o que cai no seu celular, fico cabreiro, como se dizia antigamente.

Mudando de assunto, mas conservando-me dentro da comunicação, fico pensando no problema gerado pelo automobilismo no Brasil. Quando estive na Suíça, um jornalista me perguntou como se explica a substituição da rede ferroviária pela rede rodoviária - petrolífera? Completaria: como se explica a preferência pelo transporte individual ao coletivo? Vejo por exemplo, em certos horários, pessoas apinhando-se em ônibus que, de hora em hora, transportam pessoas cansadas do seu ofício ou de sua idas a bancos, mercados, médicos ou outros serviços que se concentram na cidade grande.

Eu me instalei em São Pedro da Serra numa época em que as estradas eram de barro e o transporte, menos assíduo. Vi a população e a economia de Lumiar e São Pedro crescerem com a melhoria das estradas. Não seria o caso de fomentar uma linha de ônibus, que facilitasse o transporte e comunicação entre São Pedro e sua periferia, incluindo vilas como Colonial 61, Vargem Alta , Benfica; e entre Lumiar e áreas próximas como Rio Bonito, Macaé de Cima, Galdinópolis, Boa Esperança, Cascata, São Romão?

Gostaria de aproveitar o espaço e a ocasião para me expressar sobre o estojo: “O Tesouro de Lumiar: Águas do Alto Macaé”, que tem recebido vários elogios, mas também algumas queixas de não se poder ver as imagens. Explico: as imagens estão gravadas em CD, o que implica que elas sejam vistas em computador, em atualizado programa Power- point, muito fácil de ser instalado. Digo isto, para facilitar a visão deste bom e útil trabalho.

Enfim, são imagens que devemos incorporar ao “site” que estamos elaborando sobre a memória local. No caso, são imagens que se relacionam a um tempo da mata, unidade que inclui imagens, recursos e conhecimentos da região. Estamos elaborando referências textuais e imagens. Agradeço qualquer colaboração que pode ser enviada para o meu e-mail- passarinhomayer@gmail.com.

Por: Jorge Miguel Mayer

O autor é doutor e professor de História da Universidade Federal Fluminense

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