A grande questão do consumismo, fora a exploração exagerada dos recursos naturais é, sem dúvida, o empobrecimento da alma e da identidade das pessoas. Uma sociedade consumista, embora aumente os "recursos" objetivos, reduz, e muito, o leque de recursos subjetivos, simplificando o self num nível básico, mecânico e não criativo. A restrição da rotina mental (trabalhar, ganhar, ter, ser) tem forte impacto no arcabouço cultural e, provavelmente, genético das pessoas. As pessoas tornaram-se simplórias, não em sí mesmas, mas em função de um processo mental superficial e alienado que não se dá conta dele mesmo e, olhando sempre para fora, adia continuamente a realização caso se cumpram metas aqusitivas de bens, status ou de segurança. Por outro lado, uma sociedade ao contrário desta que aí está seria a que baseasse a sua produtividade na criatividade e na fertilidade de pessoas vocacionadas e não usadas para outros fins (mover a economia), como atualmente vemos aos milhões. Ao mesmo tempo em que, através da educação, estimularíamos as pessoas a aprofundarem-se em si mesmas e a buscarem suas vocações e talentos, suscitaríamos a realização de novos entendimentos de "felicidade" e contentamento. Colheríamos, então, economicamente inclusive, os frutos com um desenvolvimento, este sim, sustentável, porque baseado nas pessoas; uma sociedade realmente humanista e, consequentemente, ecológica, porque a ecologia está dentro dos seres humanos, na medida em que se puderem se compreender realmente humanos.
Por: Dib Curi.