Quem é o Ser Humano?
Dib Curi
Editor
do Jornal Século XXI
Quem é o Ser humano? O que somos? Muitas vezes tentei responder a esta pergunta. Por minha vez, já esbarrei com 4 possibilidades do humano em mim: o indivíduo, o cidadão, a pessoa e o Ser.
Como indivíduo, sou um emaranhado complexo, uma coletânea de impulsos, uma associação de necessidades, dores, desejos, esperanças, medos e turbulências biológicas.
Como pessoa, sou uma esfinge, um enigma, mensageiro de um recado especial para o mundo, uma missão à cumprir, um labirinto a resolver, uma aspiração, uma ideal.
Como cidadão, sou uma gota num mar de indivíduos-pessoas. A pureza e a fertilidade deste mar será a minha própria pureza e fertilidade. Sou gente como toda a gente, sou o povo.
Finalmente, como Ser, sinto-me testemunha de mim mesmo. Sou uma presença ao invés do nada, um estar aí, aqui e agora, um compartilhar com todas as coisas; sou o milagre cada vez mais consciente de si mesmo, uma grande oportunidade de celebração.
Me pego sempre num conflito entre o indivíduo que sou e o cidadão que quero ser. Me pergunto como ser um indivíduo que quer mais segurança, prazer e poder e, ao mesmo tempo, ser um cidadão que quer mais paz, fraternidade e justiça?
Outro conflito que me toma, de quando em vez, é o que acontece entre o Ser e a pessoa em mim. Fico me perguntando como ser testemunha de um rio (a Vida) que segue naturalmente o seu caminho e, ao mesmo tempo, uma vontade ativa, uma decisão constante, sentir que o destino é, por mim mesmo, determinado.
Não resta dúvida que, apesar de todas as suas complexidades, a vida pode ser maravilhosa. Porém, qual seriam as razões de tantas contradições? Talvez, a nossa civilização tenha privilegiado demais a formação do indivíduo em detrimento da pessoa, do cidadão e do Ser. Talvez, por isto mesmo, tenhamos tanta dificuldade em responder quem somos, pois não somos nada mais do que indivíduos lutando para nos preservar, aumentando a nossa segurança, prazer e poder. No íntimo, ainda somos os mesmos que nossos irmãos da Idade da Pedra, pelo menos, na nossa visão sobre nós mesmos.
O grande passo do próximo século será a construção da cidadania. Para ser cidadão é preciso olhar, compreender e estender a mão aos outros. Para ser cidadão, precisamos, antes de tudo, compreender à nós mesmos, porque os outros, no dizer de um amigo meu , são os nossos espelhos. Se nos vemos como indivíduo, os outros serão só indivíduos também, lutando contra nós, de alguma maneira. Por outro lado, se nos consideramos como cidadãos, os outros acabarão por ser cidadãos também, gente como a gente, pessoas em busca de si mesmas e de um pouco mais de Ser.